
SOBRE O MINIPÚBLICO
“Que atuação das polícias queremos para tornar São Paulo mais segura para os jovens?“
Responder a essa pergunta significa falar sobre segurança, mas também sobre cidade, direitos, confiança, prevenção, tecnologia e sobre as diferentes experiências que os jovens têm com as polícias e com a própria violência.
Foi para colocar essas perspectivas em diálogo que 30 jovens paulistanos, com idades entre 18 e 24 anos e de diferentes perfis e regiões da cidade, foram selecionados por sorteio para participar do Minipúblico Jovens e Segurança na Cidade de São Paulo.
Ao longo de quatro encontros, realizados entre os dias 15 e 29 de agosto de 2026 — três presenciais e um online —, os participantes passaram por uma jornada de informação, escuta e deliberação sobre segurança pública e atuação policial.
O objetivo foi criar condições para que os jovens não apenas compartilhassem suas percepções sobre o problema, mas pudessem conhecer diferentes perspectivas, trocar argumentos e avançar coletivamente na construção de uma Carta de Recomendações sobre a atuação das polícias para tornar São Paulo mais segura para a juventude.
O Minipúblico integra uma pesquisa internacional sobre participação política de jovens e qualidade da democracia, desenvolvida também com equipes de países como Inglaterra, África do Sul e Índia. No Brasil, a pesquisa é financiada pela FAPESP e realizada pelo CEBRAP, Delibera Brasil e Rede Conhecimento Social, com apoio da FIA Business School.
CONTEXTO: POR QUE FALAR DE SEGURANÇA COM OS JOVENS?
Segurança pública é um daqueles temas que fazem parte da vida cotidiana e, ao mesmo tempo, dificilmente produzem respostas simples.
As experiências com a cidade e com as próprias políticas de segurança não são iguais para todos. Onde se mora, por onde se circula, gênero, raça, renda e outras características podem mudar tanto a exposição à violência quanto a relação estabelecida com as instituições responsáveis pela segurança.
Entre os jovens, o tema aparece com especial relevância. Dados reunidos para o projeto mostram que a insegurança está entre as principais preocupações da juventude brasileira e que a percepção de violência permanece elevada entre moradores das grandes cidades.
Mas existe outra questão importante: jovens são frequentemente objeto das políticas e dos debates sobre segurança pública, sem necessariamente ocupar o mesmo espaço na construção dessas políticas.
O Minipúblico parte de outra perspectiva. Em vez de falar apenas sobre os jovens, a proposta foi criar condições para falar com eles — e, sobretudo, para que eles pudessem falar uns com os outros.
RECRUTAMENTO E SORTEIO CIDADÃO
Para formar o Minipúblico, foi realizada uma chamada pública por diferentes caminhos. A mobilização aconteceu tanto presencialmente, buscando alcançar jovens em diferentes contextos da cidade, quanto por meio de um formulário online aberto a interessados em participar do processo.
Ao todo, a chamada recebeu quase 200 inscrições de jovens da cidade de São Paulo. A partir desse universo, foram realizados dois sorteios cidadãos, nos dias 10 e 14 de agosto, para selecionar os 30 participantes, com idades entre 18 e 24 anos. A realização de duas rodadas de sorteio buscou ampliar o alcance de diferentes perfis e regiões da capital, contribuindo para a formação de um grupo diverso, capaz de reunir distintas experiências e perspectivas sobre juventude e segurança pública.

Assista às transmissões dos sorteios
O processo de seleção dos participantes contou com duas rodadas de sorteio cidadão, realizadas nos dias 10 e 14 de agosto. Confira as transmissões:
GRUPO DE CONTEÚDO E INFORMAÇÃO QUALIFICADA
Participar de um Minipúblico não exige conhecimento prévio sobre o assunto. Por isso, antes da deliberação, existe uma etapa fundamental do processo: garantir que todos os participantes tenham acesso a uma base comum de informações e a diferentes perspectivas sobre o tema que irão discutir.
No Minipúblico Jovens e Segurança na Cidade de São Paulo, esse trabalho começou antes mesmo do primeiro encontro com os jovens.
Para apoiar a construção da etapa informativa, foi formado um Grupo de Conteúdo, reunindo pessoas com diferentes experiências, atuações profissionais e perspectivas sobre segurança pública, juventudes, direitos e políticas públicas. Ao longo de reuniões realizadas de forma online, o grupo discutiu os principais temas que deveriam ser apresentados aos participantes e contribuiu com diferentes pontos de vista para a elaboração do Caderno de Conteúdo que orientou a jornada deliberativa.
Participaram desse processo representantes e especialistas ligados ao Instituto Sou da Paz, UNICEF Brasil, Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Poá), Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), Justa, Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Secretaria de Segurança Pública de São Bernardo do Campo.
A diversidade na composição do Grupo de Conteúdo foi importante justamente porque segurança pública não é um tema de resposta única. A construção do material buscou reunir diferentes argumentos, experiências e formas de compreender a atuação das polícias, oferecendo aos jovens elementos para conhecer o problema sem direcionar previamente as conclusões da deliberação.
O resultado desse processo foi um Caderno de Conteúdo que partiu da própria pergunta-guia — “Que atuação das polícias queremos para tornar a cidade de São Paulo mais segura para os jovens?” — e apresentou aos participantes informações sobre segurança pública como direito, atribuições das diferentes forças policiais, investigação e inteligência, policiamento comunitário e de proximidade, uso da força, tecnologias aplicadas à segurança e diferentes impactos dessas políticas sobre as juventudes.
Durante os encontros, esse conteúdo se somou às falas de especialistas e às próprias experiências dos participantes. A proposta não era oferecer aos jovens uma resposta pronta, mas criar as condições para que pudessem fazer perguntas, confrontar diferentes perspectivas, avaliar argumentos e construir suas próprias posições antes de deliberar — princípio que está no centro da etapa informativa de um Minipúblico.
SESSÕES: DAS EXPERIÊNCIAS INDIVIDUAIS À DELIBERAÇÃO
Ao longo de quatro encontros, realizados entre os dias 15 e 29 de agosto — três presenciais e um online —, os 30 jovens participaram de uma jornada que combinou informação qualificada, conversas com especialistas, dinâmicas participativas, discussões em pequenos grupos e momentos de troca coletiva. Todo esse percurso esteve orientado por uma mesma pergunta: “Que atuação das polícias queremos para tornar a cidade de São Paulo mais segura para os jovens?”
As experiências dos próprios participantes foram um dos pontos de partida das discussões. Os jovens foram convidados a falar sobre como vivem e circulam pela cidade, os lugares onde se sentem mais ou menos seguros e as situações que influenciam essa percepção. Nas conversas, ficou evidente que segurança não significa a mesma coisa para todos: um mesmo território, uma tecnologia ou mesmo a presença policial podem ser percebidos de maneiras diferentes dependendo das experiências de quem está falando.
Essas percepções foram sendo colocadas em diálogo com informações, dados e diferentes perspectivas sobre segurança pública e atuação policial. Ao longo das sessões, especialistas contribuíram para aprofundar temas e responder às perguntas dos participantes, enquanto as discussões abordaram questões como sensação de segurança, prevenção e investigação, presença policial nos territórios, confiança nas instituições e uso de tecnologias.
As atividades em grupos também permitiram olhar para essas questões a partir de experiências distintas. Território, gênero, raça e condições de circulação pela cidade apareceram nas conversas como fatores que podem alterar profundamente a relação de cada jovem com a segurança. Em alguns momentos havia aproximações entre as opiniões; em outros, os próprios participantes encontravam dificuldades para chegar a uma posição comum — e eram justamente esses contrapontos que ajudavam a revelar novas dimensões do problema.
A facilitação acompanhou todo esse percurso, organizando as conversas para que diferentes vozes tivessem espaço e estimulando os participantes a desenvolver seus argumentos, escutar outras perspectivas e retornar à pergunta central do Minipúblico. Mais do que buscar concordância imediata, o processo procurou fazer com que opiniões semelhantes e divergentes pudessem contribuir para uma compreensão mais ampla sobre a atuação das polícias e seus impactos sobre diferentes juventudes.
É nesse ponto que a troca de experiências começa a ganhar uma dimensão propriamente deliberativa. A metodologia dos Minipúblicos parte da ideia de que uma decisão coletiva não precisa nascer de pessoas que pensam da mesma maneira. Ao contrário: a deliberação acontece quando diferentes perspectivas podem ser colocadas em diálogo e cada participante tem a oportunidade de reavaliar suas próprias posições à luz das informações recebidas e dos argumentos apresentados pelos demais.
Assim, ao longo dos encontros, a pergunta sobre quais polícias os jovens querem para a cidade de São Paulo deixou de ser apenas uma questão individual. Depois de conhecer diferentes dimensões do tema, ouvir especialistas e, principalmente, ouvir uns aos outros, os participantes avançaram para a construção coletiva de propostas, buscando identificar convergências, divergências e consensos possíveis que pudessem orientar as recomendações do Minipúblico.
QUE POLÍCIA OS JOVENS QUEREM PARA A CIDADE?
Ao longo da jornada, as discussões avançaram da compreensão do problema para uma pergunta propositiva: o que poderia ser diferente?
Os jovens foram convidados a pensar sobre diferentes dimensões da atuação policial e sobre os caminhos possíveis para tornar São Paulo mais segura para a juventude.
Mais do que reunir uma lista de demandas individuais, a etapa deliberativa buscou construir recomendações concretas, identificando consensos possíveis sem apagar as divergências existentes no grupo.
O resultado desse processo será registrado em uma Carta de Recomendações construída e validada pelos próprios participantes.
Esta seção será atualizada após a conclusão da deliberação, com as recomendações priorizadas pelos jovens.
JUVENTUDE NO CENTRO DA CONVERSA
Há uma escolha importante por trás deste Minipúblico: reconhecer os jovens não apenas como pessoas afetadas pelas decisões sobre segurança pública, mas como cidadãos capazes de participar da construção dessas decisões.
Criar um espaço deliberativo significa deslocar essa perspectiva.
Durante quatro encontros, jovens com diferentes experiências tiveram tempo, informação e condições para discutir uma questão pública complexa e buscar caminhos comuns para enfrentá-la.
Esse é também um dos princípios que orientam os Minipúblicos: não é preciso ser especialista para participar das decisões que afetam a vida coletiva. É preciso ter acesso à informação, encontrar diferentes pontos de vista e contar com um espaço em que seja possível escutar, argumentar e deliberar.
Em São Paulo, esse exercício começou com uma pergunta sobre polícia e segurança.
As respostas serão dos jovens.

Realização: Delibera Brasil, CEBRAP e Rede Conhecimento Social
Financiamento da pesquisa no Brasil: FAPESP – Processo nº 23/15272-8
Apoio: FIA Business School